O
radioamadorismo, como o seu próprio nome indica, é um "hobby". É praticado
universalmente e, dessa maneira, está sujeito a normas e regulamentos,
que são discutidos e aprovados em convenções
internacionais, que, por sua vez, são ratificados pelos países
que delas participam, inclusive, o Brasil.
Oficialmente é difundido como um serviço
de amadores, destinado a incentivar e desenvolver os conhecimentos
técnicos
das pessoas que se interessam pelo estudo da radioeletricidade
e sua aplicação no serviço de intercomunicações
a título exclusivamente pessoal a sem interesse pecuniário.
Por conseguinte, o radioamadorismo é a atividade das pessoas
treinadas no setor das intercomunicações amadorísticas,
que se vão aperfeiçoando à medida em que operam
suas estações de rádio, numa prática
destinada ao treinamento individual mais apurado, assim como se
lançam à investigação técnica,
ao intercâmbio social com troca de mensagens de caráter
pessoal que não tenham cunho comercial, político ou
racial, e ainda fomentando o congraçamento dos povos do mundo.
Ao ligar o seu equipamento,
o radioamador pode trazer para dentro do seu lar a voz de pessoas,
distantes, residindo em países
longínquos, com quem manterá conversações
como se fosse uma visita, abordando vários assuntos permitidos
pela legislação sobre radioamadorismo, e fazendo novas
amizades ou renovando as já adquiridas.
No Brasil,
os radioamadors são supervisionados pelo órgão
do Ministério das Comunicações, e supervisionados
pela LABRE - Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão, à qual
são filiados, agora sem obrigatoriedade.
Sendo reserva especial
das Forças Armadas, os radioamadores
poderão ser chamados a prestar serviços de caráter
público, em casos de emergência, tais como catástrofes
ou calamidade pública, quando estarão à prova
os seus conhecimentos e habilidades de operação, qualidades
que são adquiridas no dia a dia, e também participando
de concursos e contestes nacionais e internacionais, ocasião
em que o raciocínio e a presteza de decisão do radioamador
são postos à prova, numa verdadeira cadeia de "escotismo
no ar".
O radioamadorismo é uma atividade incessante. A qualquer
hora do dia ou da noite, em todas as partes do mundo, existem sempre
vários radioamadores com os seus equipamentos ligados e falando
com outros, nas faixas de rádio a eles destinadas, num intenso
formigar de estações pelo ar, trocando informações,
aproximando almas distantes e desconhecidas, salvando vidas em perigo,
minorando sofrimentos de corações angustiados pela
falta de notícias de parentes e amigos, providenciando e
enviando remédios que poderão salvar pessoas em perigo,
etc.
Mas não é só isso:
o radioamadorismo é,
realmente, tudo isso e muito mais: é aquela confraternização
eterna e espontânea entre os homens e mulheres, que os aproxima
ainda mais, os une e os torna mais humanos, pois na sua maioria,
os radioamadores
não se conhecem pessoalmente, mas nutrem um pelo outro um
profundo e sincero afeto.
Radioamadorismo é um dos mais fascinantes, versáteis e instrutivos
Hobbes científicos, e teve início com os transmissores e
receptores de telegrafia em ondas curtas. Hoje, já incorpora todos
os aspectos de alta tecnologia envolvidos na construção,
lançamento, rastreamento e operação de satélites,
e entra na época dos veleiros solares a transmitir em órbita
lunar.
Com quase oito décadas de atuação e com sua freqüente
contribuição ao desenvolvimento tecnológico do
mundo (a utilização do efeito Doppler para localização
mundial pelo SARSAT foi concebida pelos radioamadores durante a operação
do OSCAR-6 e OSCAR-7), os radioamadores conquistaram o respeito dos
governos e a admiração de largas camadas da população. É obrigação
de todo radioamador zelar pela manutenção desse respeito
e dessa admiração.
De:
Roberto M. Rodrgirues
Iwan Th. Halász
OPERANDO NAS BANDAS DE H.F.
O radioamadorismo foi uma vocação para experimentadores
e comunicadores no início do século passado quando
se usavam freqüências mais baixas do que as atuais de
HF ( 1.8 a 30 MHz ). Nos dias de hoje as faixas para radioamadores
se situam para além dos 250 GHz. Até 1970, as bandas
de HF foram o meio usado para comunicações costa a
costa e internacionais pelos radioamadores, bem como as estações
comerciais e governamentais. Estas freqüências estavam
então sobrecarregadas de estações comerciais
de toda natureza em trafego mundial, assim como as comunicações
amadoras cidade a cidade, dx, contestes, redes de serviço
público e experimentos.
Mais recentemente, os radioamadores reverteram este
quadro, colocando por vez primeira um repetidor na faixa de 2
metros, propiciando
um novo horizonte nas comunicações . A curiosidade
na comunicação intercontinental também foi
aguçada pela capacidade das bandas de HF.
A seguir faremos uma pequena apresentação das características
de cada faixa entre 160 a 10 metros:
10 METROS:
Uma banda onde novos e antigos operadores trabalham
em comum é a
de 10 metros.
Por sua facilidade em trabalhar-se com pouca potência e antenas
relativamente pequenas e seu alcance ser mundial, esta faixa é uma
das preferidas dos iniciantes.
Por ser uma banda de espectro grande 28000 a 29700,
muitos modos são usados, cw, ssb, fm, satélite, modos digitais,
repetidores, entre outros. No Brasil esta faixa é usada por
todas as classes, exceto D. A propagação está geralmente
aberta, mesmo nos tempos de baixa do ciclo solar. Muitos amadores
conseguiram proezas em tempos de “propagações
magras “, trabalhando centenas de países durante as
poucas e curtas aberturas nas épocas de baixo fluxo solar.
Os 10 metros também nos mostra algumas características
das faixas altas de VHF, não escutar nenhum sinal nesta faixa
não quer dizer que não haja propagação
e a banda esteja fechada.
Aberturas curtas, mas excelentes, são sempre possíveis.
Descubra isto chamando CQ ! A mais popular estação
em 10 metros é um transceptor com 100W e um pequena tri-banda
10 / 15 /20, ou mesmo uma monobanda curta em cima de um telhado.
Amplificadores lineares e antenas muito altas não são
realmente necessários , porém, instale sempre sua
antena o mais alto que seja possível. Pequenos rotores usados
em antenas de TV vão facilmente manejar esses conjuntos de
irradiantes.
Por ser muito larga a banda de operação em 10 metros,
recomenda-se o uso de um antenna tuner, para o caso de se trabalhar
na parte alta e baixa da banda, ou seja, fazendo FM e CW. Você poderá então
com muita facilidade trabalhar uma estação de um amigo
a 200 Km ou uma ilha no Pacífico Sul. A ausência quase
sempre de estáticos, proporcionará que você opere
sinais fracos ou pile-ups e tenha chance de ser escutado.
15 METROS:
Talvez a mais amada entre todas as faixas, as condições
nesta banda são as mais previsíveis para uso em DX.
A operação em quinze metros é mais comum nos
tempos de baixa atividade solar. Nestas épocas, os 15 metros
se comportam melhor que a faixa de 10 metros ou 12. As comunicações
continentais são possíveis praticamente durante todo
o dia. Esta é uma das causas porque a maioria das redes se
concentram nesta faixa, incluindo-se aí, os serviços
de emergência de meteorologia, cruz vermelha, departamentos
para o exterior dos EUA e as redes de DX. Nesta banda também
o tipo mais comum de antena é a três elementos tri-banda,
mas devido as condições especiais de propagação
em certas épocas , é possível trabalhar estações
longínquas com relativa facilidade, principalmente ao nascer
e por do sol .
20 METROS:
Se alguma das faixas pode ser rotulada de “ cavalo de batalha “,
ou a “faixa da 4 estações “, os 20 metros
certamente o será. Na prática esta banda reúne
os melhores operadores, as estações mais potentes
e as maiores antenas. É a faixa preferida dos Honnor Roll
que a usam para este fim. Mas também é usada para
comunicações no Brasil tendo em vista nossas proporções
continentais. Praticamente o mundo radioamadorístico ocupa
esta faixa, sendo ela a mais congestionada de todas. É a
mais popular para dx, sstv, cw, operações digitais
e um sem fim de utilizações.
A maioria dos operadores utilizam 100 w e uma antena
tri banda, conseguindo lograr sucesso com incrível facilidade, por isso é considerada
a banda de elite do radioamadorismo. Em tempos passados a esta faixa
eram atribuídos poderes mágicos pois se lograva comunicação
com todos os países do planeta. Nos dias atuais os 20 metros
permanecem sendo a principal via de comunicação especialmente
DX em épocas de atividade solar alta ou não. Quando
as condições de propagação estão
favoráveis , é claro que a quantidade de estações
ouvidas pode até nos frustrar devido a dificuldade de se
escutar uma ou outra. A solução então, virá com
uma antena maior, ex. seis elementos, que assim discriminará mais
os sinais indesejáveis. Os comunicados via long-path também
são favorecidos nesta faixa.
40 METROS:
Eis a faixa
que é mais compartilhada com outros serviços.
Não é raro se encontrar estações comerciais
e estações broadcast de até 500
Kw operando neste local. Um problema para os radioamadores, mas
também um indicador de como está a propagação.
Uma estação de broadcast é um indicador seguro
muitas vezes. Durante o dia, 40 metros é uma banda de alcance
médio, até 2000 Km, mas a noite, nos é possível
contatar qualquer parte do mundo e v/c não precisa de 500
Kw.
40 metros é a faixa mais importante para todo tipo de concurso,
muitos radioamadores possuem todos os países do mundo trabalhados
nesta faixa. Durante o dia, temos as rodadas, durante a noite temos
muitas redes de DX tentando trabalhar estações de
outros países operando em split, como alternativa para fugir
das broadcast e de outras interferências. A maioria das estações
de radioamador da região 2, estão limitadas à freqüência
de 7000 a 7100.
Muitos radioamadores dos EUA como exemplo, não podem operar
abaixo de 7100, por isso quando tentamos lograr êxito em um
cq dirigido aos Estados Unidos, devemos chamar em split, com a escuta
acima de 7100, entre as broadcastings. Em cw e modos digitais o
procedimento para os EUA devem ser como nas demais bandas. Claro
que muitos comunicados dx podem ser feitos com uma antena dipolo
bem instalada nesta faixa, porém, devido as condições
terem variado muito nos últimos anos, com aumento brutal
de ruídos, uma antena direcional de 2 elementos dará uma
grande ajuda para os DX e também para os contestes. Antenas
verticais simples ou fasadas podem ser usadas com grande sucesso.
Para recepção as Beverage podem ser tentadas em locais
onde se disponha de espaço.
80 METROS:
As coisas que muitos radioamadores pensam quando
se menciona as bandas de 80 e 160 metros, é sempre o tamanho das antenas,
gigantescas, e a série de ruídos encontrados nessas
faixas. Mas, lembrem-se que os primeiros radioamadores estavam restritos
a operar na faixa de 200 metros e abaixo disto! Essas faixas foram
muito populares muitos anos antes de nossos sofisticados equipamentos
e programas de computador para projetar antenas.
Antes de se popularizarem as repetidoras operando
em 2 metros no início da década de 70, muito do tráfego local,
redes e tráfego de emergência era realizado na faixa
de 80 metros.
Para comunicados regionais, antenas de faixa estreita,
dipolos encurtados, antenas verticais e outros arranjos combinados
com acopladores
de antena garantem uma regular performance. Dipolos full-size em
V invertido, proporcionam bom sinal em comunicados a algumas centenas
de quilômetros, porém o ruído também
se faz presente. Para comunicados a longa distância, DX ,
v/c deve posicionar sua antena dipolo horizontal a pelo menos 15
metros de altura ( espaço livre ) ou mais.
Tudo é valido para conseguir-se o intento, postes, árvores
etc. Para se chegar a marca de 250 ou mais países em 80 metros,
outros arranjos são feitos: Antenas fasadas, slopers, verticais
em fase, dispositivos e antenas de baixo ruído só para
recepção etc... Dependendo de seu poder aquisitivo,
existem antenas direcionais de 4 elementos, pela bagatela de US$
4000,00 ... mas não são muito populares.
Os 80 metros representam sempre um obstáculo a quem está pretendendo
o DXCC nas 5 bandas ( 5 Band DXCC ) ou o diploma WAZ ( Worked all
Zones ), não são muitos radioamadores no mundo que
conseguem tal proeza, o que torna –se uma experiência
inesquecível para quem o fez. O que todos tem a dizer, é que
a última zona trabalhada, foi uma zona de muito pouca população
e que existiam muito poucos radioamadores lá! Para se contatar
algumas zonas e/ou países, requer-se conhecimento de propagação,
gray – line, muitas horas de sono perdidas, baixo ruído,
expedições operando, bons ouvidos, e principalmente
PERSISTÊNCIA! Depois de você ter treinado muito em 80
metros você poderá tentar outro desafio ... os 160
metros.
160 METROS:
Conhecida como a “Top Band “, os 160 metros é a
faixa dos experts. Os operadores desta banda se dedicam muito ao
estudo e experiência com os mais variados tipos de antenas.
Outros operadores, alem, dos experimentadores que
estão
na faixa, são os Dx-ers. Durante o dia os 160 metros não
nos oferecem nada além do ruído. Você pode encontrar
um ruído típico e estranho de aproximadamente 15 kHz
que é o harmônico de algum aparelho de TV local. Durante
o verão, podemos escutar os estáticos provocados pelas
tempestades a centenas de quilômetros. Durante a noite as
coisas mudam e muitas estações são ouvidas,
principalmente na primavera e no outono. Podem ser ouvidos fortes
sinais, principalmente em CW e também atividade em fonia.
Existe uma variedade muito grande de antenas encurtadas
que quando instaladas com o devido cuidado, proporcionarão bons contatos
locais. Trabalhar Dx em 160 metros envolve fazer muitas descobertas.
Envolve principalmente um trabalho árduo de caça.
Se você espera encontrar sinais fortes na banda em qualquer
dia do ano e a qualquer hora que ligue o rádio, está enganado!
Eles são no geral muito mais fracos dos que os normalmente
encontrados em outras bandas baixas. A primeira providência é a
mudança radical para tentar melhorar a relação
sinal / ruído na recepção. Como solução
inicial a instalação de antenas Beverage ou de quadro.
Uma técnica usada também é o uso da antena
de 40 metros para auxiliar na cópia de sinais fracos. No
geral, usa-se uma antena para transmissão e outra para recepção.
As torres usadas para suportar as antenas de Hf
podem ser usadas para suportar as L invertidas, outra boa opção para
essa banda. Tenha em mente que as condições podem
ser diferentes em 160 metros, tais como QSB, ruído e propagação
podem ser exatamente ao contrário no mesmo dia e na mesma
hora aos encontrados em 80 metros.
AS BANDAS WARC 12 / 17 E 30 METROS
A WARC, Conferência Mundial Administrativa de Rádio
em 1979, incluiu as bandas de 12, 17 e 30 metros e os radio amadores
tiveram direito ao uso em 1989. Essa novas bandas possuem as mesmas
características das bandas adjacentes às suas freqüências,
mas diferentes na propagação e no tamanho físico
das antenas. Outra diferença é a pequena porção
destinada aos comunicados.
Cada banda tem suas vantagens em relação aos horários,
como exemplo, a banda de 10 metros pode estar com a propagação
fechada e a de 12 metros em plenas condições no mesmo
horário. Apesar de estarem perto uma da outra, as condições
podem estar totalmente ao contrário. Os 17 metros , uma faixa
surpreendente, pois as condições são como as
dos 20 metros, de alcance mundial e condições de propagação
excelentes na maior parte do ano. Os 30 metros, limitados ao uso
de CW e modos digitais e 200 W de potência, proporciona boas
condições propagatórias. Vale a pena ser usada!
Devido a falta de operadores brasileiros nesta faixa, nos divertiremos
muito provocando Pile-Ups de europeus e norte americanos.
Colaboração:
Dirceu C. Cavalcanti