
A
INVENÇÃO DO TELÉGRAFO
Nenhuma invenção encolheu o mundo de forma tão espetacular
quanto o telégrafo, capaz de levar mensagens através de mares e
continentes. Não admira que Samuel F. B. Morse, ao inaugurar sua primeira
linha telegráfica, tenha lançado mão de uma expressão
bíblica "O que Deus tem feito !" Quando voltava de navio para
os Estados Unidos de uma temporada de estudos de arte na Europa, Samuel F. B.
Morse participou de uma conversa sobre o Eletromagneto. Assim surgiu a idéia
do Telégrafo. Cinco anos depois, em 1837, ele demonstrou o invento, enviando
sinais através de 500 metros de fio. Em 1844, quando transmitiu em código
morse de Washington para Baltimore a famosa frase bíblica, não
havia mais dúvidas de que Morse, influente pintor e editor, além
de inventor, tinha criado um meio revolucionário de comunicação.
O telégrafo de Morse, revelado em 1838, não foi o primeiro desses
mecanismos. Os ingleses William Cooke e Charles Wheatstone tinham apresentado
no ano anterior um modelo que usava agulhas para soletrar palavras. O invento
de Morse era, de longe, o mais prático. O remetente apenas precionava
uma tecla na linguagem de pontos, e traços eram automaticamente marcados
sobre o papel do outro lado da linha. O aparelho e o código de Morse tornaram-se
padrões internacionais. O telégrafo teve uma expanção
muito grande com o advento das ondas de rádio no final do século
19. Nas primeiras experiencias com ondas de rádio efetuadas por Marconi,
era comum usar o código Morse para envio de sinais, ( o sinal transmitido
era interrompido e liberado na cadência do código ) visto que nessa época
não havia sido inventado o sistema de modulação pela voz.
Em 1910, Paris torna-se o centro do mundo na divulgação do tempo,
inaugurando um transmissor na torre Eifel para divulgar periodicamente a hora.
A divulgação da hora era feita por intermédio de sinais
Telegráficos para os poucos rádios de galena existentes. O código
Morse nada mais é do que um protocolo de comunicação. Um
protocolo de comunicação nada mais é do que um "conjunto
de convenções que rege o tratamento e, especialmente, a formatação
de dados num sistema de comunicação". Se você tiver
curiosidade, dê uma olhada nos Protocolos de Comunicação
citados na seção de "Internet" da Aldeia onde o tema é abordado
com maior abrangência.
Vale a pena repetir uma parte do texto. Originalmente, Morse imaginou numerar
todas as palavras e em transmitir seus números através do telégrafo.
O receptor, usando um enorme "dicionário", decifraria a mensagem.
Alega-se que Alfred Vail, um assistente de Morse, foi quem desenvolveu o chamado "Código
Morse". As letras do alfabeto foram definidas pelo padrão "ponto
e traço". Este novo código reconhecia quatro estados: voltagem-ligada
longa (traço), voltagem-ligada curta (ponto), voltagem-desligada longa
(espaço entre caracteres e palavras) e voltagem-desligada curta (espaço
entre pontos e traços). Em homenagem ao colaborador Alfred Vail, aqui
está o Código Morse:
PONTOS E TRAÇOS
Cada caracter (letras, números, sinais gráficos) possui
seu próprio conjunto único de pontos e traços.
Abaixo você encontra o Código Morse original:

CÓDIGO DE MORSE E O SISTEMA BINÁRIO
Podemos traduzir os termos utilizados para os dias de hoje para significarem
condições binárias de "1" (ponto)
e "0" (traço). O alfabeto Morse é um código
baseado em 5 posições, ou seja, não precisa
mais do que 5 posições para que todas as letras e
números sejam padronizados. É um protocolo de 5 bits.
Uma particularidade do alfabeto Morse é que a maioria das
letras não usam os 5 bits. A letra "E", por exemplo, é expressa
por um bit único. Seria mais seguro transmitir letras/números/símbolos
que tivessem o mesmo comprimento - torna-se mais fácil controlar
erros quando se recebe blocos de mesmo tamanho, além de tornar
possível transmissões automatizadas. Porém,
o número de combinações possíveis para
2 símbolos e 5 posições é de apenas
32 (2 à quinta potência) e não seria mais possível
codificar todas os símbolos necessários. Foi o francês
Baudot quem resolveu este impasse criando o Código de Baudot
que foi usado na telegrafia e nas máquinas de transmissão
de dados que sucederam o telégrafo.
O TELÉGRAFO E A CRIPTOGRAFIA
Na realidade, o aspecto mais importante quando se fala de Morse não é o
código e sim a possibilidade de transmitir informações à distância.
Através dos fios correm sinais elétricos que, devidamente
concatenados, representam mensagens. Para que estas mensagens possam
ser transmitidas e recebidas existem muitas fatores envolvidos: o
remetente (que nem sempre gostaria que sua mensagem se tornasse pública),
o funcionário do telégrafo que irá transmitir
a mensagem (e, por isso mesmo, acaba conhecendo o conteúdo
da mesma), os fios de transmissão (que podem servir para terceiros
interceptarem as mensagens), o funcionário do telégrafo
que recebe e decodifica a mensagem (e que também toma conhecimento
do conteúdo) e, finalmente, o destinatário. Como o serviço
de telégrafo atingiu uma boa parcela da população
civil, a vontade ou a necessidade de esconder o conteúdo de
mensagens acabou envolvendo pessoas que normalmente não teriam
tido este tipo de interesse. A criptografia começou a sair
do âmbito diplomático e militar e "caiu no gosto
do povo". Interesses comerciais e triviais começaram a
concorrer com interesses de estado. Assim, um artista iniciava uma
nova era na história da criptologia. É claro que Morse
não tinha idéia da revolução que estava
desencadeando...
Código Morse
Regras básicas
Um traço é igual a três pontos
Espaço entre sinais de uma mesma letra é igual a um
ponto
Espaço entre duas letras é igual a três pontos
Espaço entre duas palavras é igual a sete pontos
Contudo, CW não são pontos e traços! CW é uma
música composta de sons curtos e longos. Na aprendizagem, o
som curto é DI e o som longo é DÁ. Assim, por
exemplo, a letra A é DIDÁ e a letra N é DÁDI.
Tente assobiar A e N. O DI é um som curto e o DÁ é um
pouco mais longo. Vê como é fácil.
BAIXE AQUI UM CURSO COMPLETO DE TELEGRAFIA - CW